Não, não estou cozinhando.
Estou é às voltas com a preparação para um concurso público que irei fazer. E se há uma coisa que detesto é estudar para concursos! Para mim não existe nada mais enfadonho do que isto! Contudo, é necessário fazê-lo. E este texto me foi uma lição essa semana.
A obra A Cozinheira (Jan Vermeer – 1632-1675) realça a santidade do comum, a pureza das coisas usuais. Nos delicados tons azuis e amarelos suaves da cena, vemos uma simples criada com as mangas arregaçadas para fazer sua tarefa, despejando atentamente uma jarra de leite numa tigela. Sua face está emoldurada por uma touca e seus olhos se fixam com atenção no que está fazendo. Na mesa há objetos comuns de uma cozinha: pão fresco, uma cesta tecida, uma jarra de cerâmica e um avental azul. Talvez estivesse preparando o desjejum. A ação da mulher é calculada, quieta e reflexiva. Ela se concentra totalmente no que está fazendo. Dedica a essa tarefa completa atenção, apesar de não ser nada de extraordinário, uma coisa aparentemente simples e sem importância. Vermeer conseguiu transformar essa simples ação em um ato quase sagrado, através da expressão, beleza e serenidade que representou na cena.
Ao olhar essa pintura, um verso acode à minha mente: “Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme tuas forças” (Eclesiastes 9:10). Essa mensagem parece aplicar-se perfeitamente ao quadro. Assim como a mulher, também enfrentamos trabalhos monótonos, aparentemente simples, a cada dia. Corrigir provas e monografias não é um trabalho atrativo: Não é como dar aulas a uma grande classe de estudantes sedentos de conhecimento; não é ser poderoso quando se está em reuniões importantes; não é emocionante como uma viagem para congressos científicos realizados em algum lugar exótico. Mas é essencial à minha profissão.
Assim, quando enfrento coisas enfadonhas, aparentemente simples e maçantes, lembro-me da Cozinheira de Vermeer, e da atenção que ela dispensa ao simples ato de despejar leite na tigela. Então chego à conclusão de que a qualidade da concentração e energia que investimos em cada ação é a chave para nossa integridade pessoal. Quer tenhamos alguém nos observando ou não, devemos executar nossas atividades de todo o coração, com comprometimento, conforme nossas forças, porquanto esse é o mandamento bíblico. Pois, por esses atos, nosso verdadeiro caráter é julgado.
Penny Mahon (Ph.D., University of Reading) coordena o Departamento de Ciências Humanas e é diretora de assuntos estudantis no Newbold College, Inglaterra.

…ontem fiz uma ata, de um encontro com 12 pessoas, nenhuma com poder de decisão. Percebi que estava mais uma vez em um grupo de resilientes servos. No dia seguinte, apresentei a ata ao meu chefe e ele me perguntou o que eu achava da situação. Parece que nossa expectativa de poder nem sempre está conectada à cena que idealizamos. Eu só espero ter sempre paciência para superar as fases enfadonhas… ^-^